Por que estereótipos não funcionam mais com a nova consumidora?

Houve um tempo em que blogueiros eram as novas celebridades, que influenciavam a decisão de compra dos consumidores. Você acha que esta época de ouro ainda existe? Acredito, devido ao uso repetitivo de casting nos últimos anos, houve um desgaste de credibilidade.

Há um tempo é possível notar sempre o mesmo ‘ciclo’ de blogueiros falando de cada vez mais e diferentes marcas, em diversas situações. Como que o consumidor final vai confiar em uma opinião, na qual ele sabe que foi paga para estar ali? As vezes a marca não combina com o lifestyle ou objetivo de determinado blog. Como você vai se identificar com a mensagem passada, neste caso? O gatilho mental de autoridade (e também reciprocidade – que falarei mais detalhadamente no meu próximo texto) não fazem parte deste cenário.

Mudamos. O mundo mudou, o comportamento do consumidor mudou. A internet abriu novas portas e incentivou as pessoas a fazerem o que o ser humano mais gosta de fazer: procurar por experiências reais, opiniões de consumidores “comuns”, dicas de pessoas próximas para decidir se vai comprar ou não alguma coisa. É um público cada vez mais inteligente e exigente. Você vai acompanhar o mercado, ou prefere a comodidade do “casting da agência”?

Queria falar aqui sobre 2 pontos importantes:

  • O primeiro deles é sobre a importância de uma marca entender a diferença entre Comunicadores, Experts e Vendedores;
  • O segundo: sobre mulheres e a relação com o mercado.
Comunicadores, Experts e Vendedores

Malcolm Gladwell em O Ponto da Virada fala detalhadamente sobre estes 3 ‘itens’ e o papel de cada um deles na hora de disseminar uma informação. Aplicando a teoria na prática: de todos os posts pagos que você e sua agência já fizeram, qual deles teve um ROI que fez valer o investimento? O número de visualizações foi alto, mas o número de vendas pífio? Talvez seja mesmo porque a pessoa que está passando a mensagem seja apenas um comunicador, mas não um vendedor – não convence as pessoas a efetuar a compra.

Poderia escrever vários parágrafos sobre este assunto. Mas recomendo a leitura do livro. O ponto é: para cada estratégia, existe uma solução. Ou pelo menos deveria. Há quem te ajude com awareness de marca (comunicadores). Há quem te ajude a falar no que seu produto é realmente bom (experts). E há quem te ajude a vender o produto (vendedores). Cabe a você (ou sua agência) saber identificar melhor o momento da sua estratégia, entender os canais utilizados e definir o que se encaixa melhor para este planejamento.

Agora vamos falar sobre mulheres e mercado

Lendo este artigo da Fast Company, apenas reforcei o que já pensava. As mulheres, principalmente em países emergentes, ganharam um espaço enorme na economia. Estudam, trabalham, casam e têm filhos mais velhas que anos atrás. Consequência? 85% da decisão de compra é delas!

E o que estas mulheres buscam? Estudo, dicas para tornar o dia a dia mais rápido e prático, crescimento pessoal e profissional, tecnologia – tudo o que um ser humano procura. As mulheres não vivem em uma bolha, a vida não é um conto de fadas e “fique magra e linda” não é o que chama atenção.

 

pesquisa Euromonitor Internacional sobre mulheres no mercado consumidor.

pesquisa Euromonitor Internacional sobre mulheres no mercado consumidor.

Na contra-mão, tudo o que vemos de divulgação para o público feminino são estereótipos: “perca 5 kg em 1 semana”/ “farinha seca barriga” / “tenha cabelos incríveis” / “fique com a pele perfeita”. Look do dia, com marcas caríssimas, makes maravilhosas e todo o mundo de glamour fora da realidade do dia a dia. A mulher fútil, que não trabalha e passa o dia preocupada com vaidade. Blogs sendo pagos para falar “gente, este produto que custa “R$ seu salário do mês inteiro” é incrível”. Ou ainda “meninaaas, estou aqui no hotel Unique, na festa de lançamento da marca XX, está tudo lindo!”. Responda com sinceridade: você acha mesmo que isso dá resultado? Por que você acha que perfis de pessoas “comuns” passaram a fazer tanto sucesso em Instagram, Snapchat e Youtube? Pois a espontaneidade passa mais credibilidade, e como diz no próprio artigo da Fast Company: “Influencers have a more nuanced and complex strategy these days. They use different social platforms to build their brand; their blogs are just one extension of this effort to engage followers.”

Além disso, em países emergentes temos maior poder de compra da classe C, que coincidentemente, é a classe que mais procura e se identifica com os “daily experts”. O acesso à internet abriu um mundo novo a milhares de pessoas e consumidores em potencial, que não se identificam com as campanhas glamourosas e caras produzidas pelas grandes marcas.

Enfim, está mais que na hora do mercado entender como falar melhor com o consumidor, principalmente com as mulheres. O livro do Malcolm Gladwell, por exemplo foi publicado em 2.000 – no comecinho do boom da internet. Não acha assustador que até hoje estamos ‘fazendo isso errado’? Hora de revisar o planejamento da campanha, entender mais e melhor sobre pessoas para saber como falar com seu consumidor. Mas falar mesmo, e não apenas fazer anúncios e não ter resultados. Não sabe por onde começar? Abaixo um slide simples, mas de grande valor para quem quer falar de verdade com o novo público feminino 😉

pesquisa Euromonitor Internacional sobre mulheres no mercado consumidor.

pesquisa Euromonitor Internacional sobre mulheres no mercado consumidor.

Fonte: Fast Company

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Author

Karen Formagio

Estrategista / Partner na Media Education e Head de estratégia na TopperMinds, fascinada por comportamento humano, viagens e música.


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