Qual sua campanha real de dia das mulheres?

Eu poderia usar esse 8 de março para levantar vários pontos sobre como fazer uma campanha de dia das mulheres empoderadora, forte, que valorize o real significado dessa data – que muita gente ainda acha, em pleno 2017, que é um dia pra dar flores pras moças e dizer o quanto elas são um raio de luz na vida masculina.

Mas hoje eu queria propor algo diferente da criação publicitária. Eu queria propor um exercício alguns passos pra trás da peça publicada, onde ela começou ser pensada. Eu queria usar essa data para propor uma pesquisa simples que qualquer um pode fazer: qual é sua campanha real de dia das mulheres?

A pesquisa é um questionário simples pra ser aplicado no seu local de trabalho. São só algumas perguntas, que envolvem contas – desculpa galera de humanas, é difícil pra mim também – e algumas reflexões.

  • Quantas pessoas trabalham no mesmo local que você? Quantas dessas são mulheres?
  • Quantas pessoas têm cargo de chefia (CEO, sócio, head, DC) onde você trabalha? Quantas delas são mulheres?
  • Quantas pessoas têm cargos de liderança (gerentes, líderes de equipe, ACD)? Quantas dessas são mulheres?
  • Quantas mulheres negras, além da moça do café e da limpeza, trabalham com você?
  • Quantas mulheres gays trabalham com você?
  • Quantas mulheres trans trabalham com você?
  • Quantas mulheres mães trabalham com você?
  • Quem são os nomes da comunicação que você admira? Quantos desses são nomes de mulheres?

Eu levanto essas perguntas não como uma provocação, mas sim como uma alfinetada. A publicidade atualmente ganha rios de dinheiros para mostrar o empoderamento dos chamados grupos vulneráveis. Nunca esteve tão na moda vender diversidade, aceitação, poder. E pô, isso é muito bom ao meu ver: é lindo ver tanta gente incrível, antes ignorada pela sociedade, sendo usada como modelo. É lindo ver todo esse dinheiro da publicidade sendo usado para mostrar o rosto de gente diferente. Mas a pessoa que está no seu anúncio está na mesa ao seu lado? Ao menos, está no seu local de trabalho? Qual é o seu esforço atualmente para vender diversidade e qual é o seu esforço para promover diversidade de fato?

As respostas para essas perguntas não vão ser satisfatórias. Não vão encher de orgulho nenhuma agência nesse dia 8. Mas, mesmo assim, elas podem ser um ponto de partida para reflexão, para abertura de debates e estudos, ciclos de palestras, entendimento do machismo consciente e inconsciente no nosso dia dia, no nosso mercado.

Como mulher, nesse dia que está sendo celebrado, peço esse pequeno gesto de reflexão como presente. Compartilha os resultados da sua agência aqui e vamos juntos pensar em formas que promovam um mercado realmente diverso.

Obs.: Promova essas contas também com outros grupos vulneráveis, como negros e LGBTs. Promova essas contas considerando as faculdades de que você contrata, a cidade e a região de onde a pessoa vem. Promova o debate, faz bem e só assim podemos gerar mudanças um dia. 😉

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Author

Raisa Sutecas Pin

Criação na Mutato, louca dos gatos, dos signos, das plantinhas, das séries e dos objetos de decoração das feirinhas de rua.


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