A publicidade como ferramenta de representatividade

Sabe quando vemos um filme publicitário que consegue nos tocar emocionalmente? Nossa reação vem do subconsciente. Sem antes mesmo da gente notar, já estamos rindo, com o olho brilhando, inspirados, ou qualquer outro sentimento que queiram despertar. Isso não é uma fórmula mágica, é apenas a comunicação entendendo o consumidor, fazendo uma imersão na sua vida, no seu íntimo, no seu pensamento, na sua essência.

O mundo da comunicação é irreal. Não não há cabelo ruim, pele seca, cegos, gordos, surdos, amarelos. Não há gays, lésbicas, negros. Não há crianças ou adultos com mobilidade reduzida, usando óculos de grau, ou pele manchada. É tudo perfeito. Mas o perfeito não existe, e por isso, não nos representa.

A sociedade está ávida por empatia. Mas não é superficial, não se engane. Não é fingir que sabe, fingir que ouve, não é assim que você vai criar uma conexão com as pessoas. Não é também falar uma coisa e fazer outra – isso afrouxaria o laço e a confiança. Empatia é você ir no fundo, vasculhar e voltar para falar “Eu te entendo, eu estou nesta com você, juntos!”. É  falar a sua língua, seus dialetos, suas gírias, entender o que passam, o que enfrentam, suas batalhas. É representar estas pessoas reais sem estereótipos, simplesmente pelo que eles são: seres humanos.

Parece fácil, mas não é nada simples. Mas a recompensa é linda. Tanto para o mundo, quanto para o legado da sua marca. O mundo ganha com mais tolerância, respeito, representatividade. Sua marca ganha com uma legião de novos consumidores carentes de marcas que os enxerguem e os tratem como pessoas – e não números ou personagens caricatos.

Quer ver como é possível utilizar a publicidade como uma ferramenta para o bem, para amadurecer a sociedade, incluir, dar exemplo e representar o mundo como ele é?

Netflix e o orgulho gay

Não poderia começar por outro: vídeo recente da empresa para comemorar o orgulho gay. As séries da Netflix tratam os personagens com a simplicidade que devem ser tratados: reais, apaixonantes, sem estereótipos. É simples como deve ser. Trazem à tona as pessoas do mundo que estudam, trabalham, amam, dão risada. O resultado? Identificação, sentimento de pertencimento e a sociedade entendendo que uma pessoa não deixa de ser quem é, apenas devido sua orientação sexual. Não há como discutir os laços e a relação criada entre Neteflix e seus clientes, não apenas por atitudes como esta, por todo seu ecossistema.

Avon – Beleza que faz sentido

Avon - Beleza que faz sentido - http://www.avon.com.br/belezaquefazsentido

Avon – Beleza que faz Sentido – http://www.avon.com.br/belezaquefazsentido

Não é segregação, não é rebeldia, não é oportunismo. É empoderar, ensinar, incentivar, falar de igual pra igual. Utilizar seu território (beleza) pra fortalecer, mudar vidas. Na contra mão de toda uma indústria que zela pela perfeição, a Avon chega pra falar de amor próprio, de auto confiança, de independência, igualdade de gênero. Está ali, tudo explicadinho, posicionado, com vídeos de “histórias que fazem sentido”, fotos de mulheres reais, ações que colocam a mulher – e não a beleza – no foco. Como eles dizem “a beleza é o caminho, empoderamento é o destino”

quem disse, berenice

quem disse, berenice

Fonte: http://www.quemdisseberenice.com.br/institucional/quem-somos

Uma marca que já nasceu incentivando  a ousar, a falar “porque sim”, porque eu quero, porque eu gosto.  A se preocupar menos com regras e arriscar mais. Se você gosta e acha bonito, por que não? Quem disse que não pode? Parece bobo, mas se você é mulher sabe o quanto já sofreu com revistas adolescentes te ensinando que roupa ou cor de batom usar, de acordo com sua pele, tamanho, roupa, etc.

O Boticário – Casais Gays no Dia dos Namorados

Quem não lembra deste vídeo? E quem lembra do auê que gerou? O destaque aqui vale para o posicionamento da marca, que não mudou de ideia ao ousar e ser criticada. Ao contrário: defendeu o amor acima de tudo, e tentou ensinar respeito aos que discordaram, o que fez com que o laço emocional ficasse ainda mais forte.

Selfie C&A

#selfiecea

#selfiecea

Até que enfim, classe C sem estereótipos. A novela das 21h não representa esta classe. A C&A entendeu perfeitamente a importância da selfie para seu público, por exemplo. O que ela fez? Uma campanha baseada neste comportamento! Já que as pessoas gostam de tirar selfies até mesmo no provador, por que não aproveitar este momento? Além disso, não trata a ‘Nova Classe Média’ com uma roupagem brega. Pelo contrário, sabe a importância que dão para beleza e que querem se cuidar e se vestir bem. Viu como não é difícil?

Seda 

Seda

Já percebeu a mudança nos últimos anos na campanha da Seda? Cabelos reais, mulheres reais. Simples assim.

Dove – Beleza Real

Pra mim, é um dos maiores exemplos de campanha de representatividade, pois foi uma das primeiras que surgiram, na contra mão das capas de revistas perfeitas. De uma delicadeza linda, que ajuda as mulheres a se enxergarem na tv, se aceitarem, se acharem lindas como são. Como não emocionar, criar conexão quando você faz a pessoa se sentir melhor com ela mesma?

Toys Like Me

Dá vontade de chorar quando vejo uma foto subindo com a hashtag #ToyLikeMe por aí, de tão lindo que é ver o sorriso no rosto de uma criança, ao se enxergar em um brinquedo. O mais legal é ver que uma pequena empresa está influenciando uma categoria, uma geração – eles puxaram a Lego pra fazer bonecos com cadeiras de rodas, por exemplo. Isso é poderoso. Isso é, novamente, pertencimento, se sentir parte da sociedade. Falando psicologicamente, traz um benefício enorme para crescimento e empoderamento da criança pra vida toda. Isso a faz acreditar que é igual a todos, que é capaz como todos. Vocês podem acompanhar o trabalho deles no facebook.com/toylikeme. Tem barbie, boneca, lego e tudo o que faz parte do mundo infantil, mais real!

O papel da publicidade é enorme na sociedade: pra criar hábitos, trazer mudanças, representar ídolos e aspirações. Quanto mais as pessoas vêem algo, mais normal isso se torna, mais tolerante ela fica. Por que não utilizar este poder para o bem e contribuir para uma sociedade mais justa, real e inclusiva?

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Author

Karen Formagio

Estrategista / Partner na Media Education e Head de estratégia na TopperMinds, fascinada por comportamento humano, viagens e música.


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